Épocas, Rodas e Imagens na Educação

Épocas, Rodas e Imagens na Educação

de Maria Chantal Amarante.

Os festivais são celebrações das estações do ano e das festas espirituais de cada povo e cultura, que nos conecta ao mundo que nos rodeia e ao cosmo. Eles acontecem em um ritmo anual que ajuda a criança e o jovem, como seres espirituais a se sentirem parte desse mundo. Um festival celebra a união de forças terrestres e cósmicas. Festas que criam comunidades de seres humanos, celebrando a harmonia da terra e do cosmos, da matéria e do espírito. Estas celebrações sazonais marcam a mudança da luz, a relação entre a Terra e o Sol, e a conexão com o que é universal e terreno, no ciclo do ano. Festas podem ser portadores do espírito dentro das estações terrenas. São pontos onde o espírito da terra e o espírito cósmico se encontram. Os Ciclos das Estações do Ano são processos de respiração da Terra, relacionados ao cosmo, que envolvem o ser humano e toda a Terra em diferentes direções, nas diferentes épocas do ano. Através das festas, rodas, poemas, canções e vivências ajudamos a trazer o equilíbrio ao ser humano.

A criança tem o dom natural da aceitação, inocência, fé e confiança. Trazer para ela a vida da Natureza, as suas constantes mudanças e transformações, é um meio de trazer as a força motriz da vida da Terra. A Natureza está na base da nossa cultura e da nossa sobrevivência. Temos de ajustar a nossa existência, de acordo com as forças naturais, pois ela está profundamente arraigada em nós.
Os impulsos da religiosidade, dos caminhos espirituais que ultrapassam todas as religiões, também estão presentes na Natureza. As celebrações cósmico/espirituais e as terrenas/natureza fazem parte da história da evolução da humanidade.
Comemorar os festivais é um caminho de luz na vida de cada um, que traz o significado da nossa existência humana no universo. Nós, seres humanos estamos entre os dois mundos, unindo-os em nós mesmos. Nós somos o ponto de ligação entre o círculo superior, que representa o céu, e o inferior, que pertence à terra.
As festas cristãs-espirituais-universais ocorrem em todos os tempos da Terra, porque expressam um reino para além do plano da Natureza.
A Páscoa conforme o hemisfério, se junta a uma estação do ano. No hemisfério sul a Páscoa se junta ao fim do verão. Por isso, misturamos os dois aspectos de comemoração. O coelho esconde os ovos na natureza ainda quente do fim do verão. Esses são símbolos da expansão de uma nova vida. São imagens que trazemos para as crianças do renascimento da Páscoa, um símbolo de libertação.
Assim temos uma combinação da celebração da Natureza e espiritual cósmica.
A celebração do Outono, após um período de muita luz do verão traz uma introspecção. Aqui trazemos as folhas secas que estão ao redor, a imagem dos anões que cuidam da Natureza, que agora dorme externamente e acorda dentro da Terra.
No início do Inverno temos a festa da lanterna, festa da celebração da Natureza agora mais recolhida. Isso significa a força da Luz interna que transmite uma Luz na escuridão do Inverno.
As crianças da cidade grande são limitadas nas suas necessidades de movimentação. Um ritmo diário que traz uma experiência de ambientes da Natureza com bastante espaço para brincarem e correrem possibilita a saúde das crianças e uma vivencia da Natureza.
Nas caminhadas diárias trazemos a experiência de quatro elementos: o vento, o calor do sol, a chuva, as poças, a terra molhada, as folhas secas.
As estações do ano são como uma roda constantemente em movimento.
A forma como realizamos as rodas, o ritmo do dia e do mês, com o tema das festas e das estações, faz sentido no curso do ano. A arte consiste em trazer para as crianças a vida da Terra, como seres que acabaram de chegar do Cosmo. Sentindo a respiração ritmada, como uma música da Terra e do Cosmo.

Mostrar para as crianças o plantio e a colheita de forma manual é uma experiência arquetípica. Podemos levar as crianças para o campo e ver um agricultor plantar e colher manualmente e trazer a colheita para casa ou ao jardim-de-infância. Hoje as crianças sabem que tudo isto é feito com enormes máquinas e elas têm dificuldades de compreendê-las, mas podem facilmente se conectar com uma foice e o plantio manual. Visitar a fazenda é um passeio e uma experiência sensorial essencial. Levamos as crianças a ouvirem os diferentes sons da Natureza. Assim podemos trazer os movimentos genuínos das imagens da Natureza nas rodas e canções do jardim-de-infância. É muito importante ser capaz de imitar os movimentos e sons da Natureza. As crianças ficam bem tranqüilas quando observam os trabalhos manuais, pois elas compreendem e querem logo imitar. Então cantamos o que vivenciamos, enquanto trabalhamos.

Podemos trazer a Natureza (como folhas, flores, pedras, conchas de cada estação, etc.) como decoração num canto em casa ou na classe. O que chamamos de canto ou mesa de época é esse lugar sagrado aonde decoramos com coisas significativas e ligadas às imagens que trazemos em cada época do ano. As crianças adoram ajudar a decorar esse canto trazendo coisas da Natureza de casa ou de suas viagens. As cores da natureza em cada estação e das imagens das festas pintadas pelos grandes pintores, do folclore, do que é típico de cada povo e sua cultura, são grandes elementos que devem nos nortear na organização de cada celebração.

No final do dia, após todas as atividades (rodas, brincar, caminhar, artes, atividades caseiras, trabalhos-manuais, cantar, etc.), é hora de ouvir a história. Elas são cheias de imagens que alimentam a alma, juntando novamente o cosmo e a terra, imagens ligadas as festas e as estações.
Quando os pais chegam, junto com as crianças, cantamos e agradecemos por mais um dia. Assim os pais se envolvem nas imagens e podem levar suas crianças com alegria para casa.
Quando as crianças têm a oportunidade maravilhosa de caminhar, seja pelas ruas da cidade ou no campo, elas andam ou saltitam como um ser observador, interessado e querendo colher uma flor ou pegar uma pedra, ouvindo o piar dos pássaros, alegres com vontade de estarem nessa vida. Envolvidas pelo amor de tudo e de todos que a cercam.

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