Depoimentos

DEPOIMENTOS

Cláudia Pucci e Djair


Lembro bem do nosso primeiro dia. Na verdade, era só pra conhecer o Espaço Bem Viver, que apesar de ser “longe” da nossa casa – moramos no Butantã, foi tão recomendado que achamos que valia uma visita. Naquele dia, nem poderíamos imaginar quantos anos passaríamos naquele jardim. O Pedro tinha, então, três anos, e era um menino silencioso. Falava com ações. Já havíamos visitado algumas escolinhas, mas dessa vez aconteceu algo inusitado: ainda no portão da escola, ele se soltou de nossas mãos e saiu correndo em direção à casinha de madeira que abrigava a escola.

Naquele momento, entendemos que ele havia encontrado seu lugar.

Esse “soltar das mãos para uma nova acolhida” aconteceu muitas e muitas vezes. E sempre que eu saía pelo portão após deixá-lo na classe, era acompanhada de uma sensação maravilhosa de ter entregue meu filho em um lugar que é visitado pelo sagrado. Pelo cuidado. Por olhares de quem vê além. Nesse ninho, ele pode se desenvolver, passar seu primeiro setênio em um círculo de cuidado, de bondade, de confiança, até que, ao completar sete anos, seu espírito abriu-se para o mundo.

Depois de Pedro, veio Gabriel, que também foi acolhido em todas as suas necessidades. Corre pelos barrancos como quem voa, sobe e desce das árvores como quem nasceu para esses malabarismos. Cuida e é cuidado. Irreverente de nascença descobriu também a magia da reverência daqueles pequenos cantinhos encantados, pelas pedras deixadas pelos anões ou pela pedra conquistada através das provas de São Micael. Orgulhoso, chega com o palito da vela que acende antes da história, mostrando-se também zelador desse templo. E assim, entre amigos e sorrisos, também passou seu setênio, e agora caminha para novas travessias.

Francisco, o caçula, observa o vai-e-vem dos irmãos, também já tecendo amigos enquanto espera sua vez. A escola é para ele um balanço que voa pelos céus, as salas de aula desejadas (e por vezes visitadas a convite), a promessa de um espaço onde também fará muitos amigos – ou seguirá com os que ele já conquistou nas horinhas de visita.

Enquanto isso, nós, mãe e pai, a cada caminhada ano a ano, nota a nota tocada no kântele, vamos também (re) abrindo nosso coração para o tempo sutil da infância, tão preservado nesse campo de abraço. Desde os raios de sol passando entre as árvores (imagem que nos recebe todos os dias na entrada), encontros de pais, grupos para fazer de pão a artesanatos (quando dividimos a experiência da vida em conversas deliciosas), o contato com informações preciosas, a sensação de que estar ali é também ser quase aluno, ainda que tardio. Reuniões de classe são encontros entre amigos. Levar o filho à escola é mais que um simples compromisso cotidiano. Tudo é experiência. Troca. Cuidado. Desde o primeiro dia, num difícil desapego, em que Pedro chorava saindo dos meus braços em direção à sua classe – onde fora recebido com música pela tia Dé – e depois fui acolhida pela Cecília com essa frase: “agora acho que é você que está precisando de um abraço”.

E esse só foi o primeiro de muitos.

Encantamento, muito amor e gratidão em forma de escola. É essa minha síntese de experimentar um jardim Waldorf, especialmente no Espaço Bem Viver.

Fernanda Dearo

Eu quando percebi as dificuldades de adaptação do meu filho aos ditames das escolas tradicionais, descobri o Jardim Waldorf Espaço Bem Viver, fundado pela professora Maria Cecília Bonna, que atua na pedagogia Waldorf há 32 anos, bem como, a Escola Waldorf Guayi, que oferece o Ensino Fundamental.

Guayi, em tupi-guarani, significa semente boa, aquela que traz dentro de si o germe da vida. “Muito diferente do prédio de concreto, a escola é abrigada no Jardim Waldorf Espaço Bem Viver que se situa em um sítio gramado cheio de árvores e esconderijos, com 3 mil (3700) m2, salas aconchegantes, parque e quadra esportiva. Meu filho está muito feliz e se adaptou muito bem.” 

“Nessa pedagogia cada criança é vista como um ser único e são respeitados seu tempo e sua personalidade. No jardim eles aprendem fazem aquarela, tocam kântele, há aulas de euritmia, culinária, horta, trabalhos manuais, rodas e contagem de histórias, principalmente inspiradas em  contos de fadas e nos os contos dos irmãos Grimm. As crianças também têm tarefas diárias como lavar a louça e varrer a sala, arrumar os brinquedos e consertá-los. O lanche é comunitário e deve ser natural e saudável. 

Já no ensino fundamental as crianças têm alemão, inglês, jogos, além de elaborarem seus próprios livros.”

As festas são lindas, simples e emocionantes “A festa da Lanterna na época de São João traz o tema da luz de cada um. Todos se envolvem: pais, professores e alunos. 

No grupo de estudo com os pais somos convidados a fazer mandalas e fadas com lã natural de carneiro, uma técnica alemã linda de feltragem.

Eu aprendi, fiquei tão feliz que montei uma loja na internet.”